Review Sony Xperia T2

As vendas de tablets vêm registrando quedas nos últimos meses. Em parte, isso se deve à procura crescente por smartphones com telas grandes. Ainda não dá para dizer que esta categoria caiu no gosto dos brasileiros, mas há fabricantes apostando neste segmento por aqui. Um dos exemplos mais recentes é o Xperia T2 Ultra Dual: o grandalhão da Sony começou a ser comercializado no país no final de maio.

Assim como a Nokia com seu Lumia 1320, a fabricante japonesa investe em características bem assimiladas pelo mercado brasileiro para fazer o aparelho convencer: o Xperia T2 Ultra Dual suporta dois cartões SIM; além disso, o modelo alia a sua tela de 6 polegadas e resolução HD com especificações de hardware intermediárias, o que ajuda a torná-lo mais barato: seu preço sugerido é de R$ 1.299.

Será que esta combinação apresenta uma boa relação custo-benefício? Em outras palavras, o Xperia T2 Ultra Dual consegue se sair bem no dia a dia, especialmente com vídeos e jogos, as atividades mais convidativas quando se tem uma tela tão generosa à disposição?

Design e pegada

Quando pegamos um smartphone com tela de 6 polegadas (a maioria dos fabricantes evita termos como “phablets” e “foblets” para esta categoria) pela primeira vez, ficamos vislumbrados com ela, mas, quase ao mesmo tempo, tendemos a ficar desconcertados com as dimensões físicas do aparelho.

Só que, de todos os “grandalhões” que eu já testei, o Xperia T2 Ultra Dual foi o que menos me incomodou em relação ao tamanho. O modelo conta com 165,2 mm de altura e 83,8 mm de largura, mas a sua espessura de apenas 7,7 mm ajuda bastante a torná-lo mais confortável para mantê-lo em mãos.

O peso também colabora: 173 gramas é uma medida muito boa para um dispositivo deste porte, já que o usuário o segura com menos medo de deixá-lo cair e, nas situações que exigirem, facilita o seu transporte no bolso da calça ou da blusa (desde que haja espaço, é claro).

O visual externo remete ao design que a Sony vem adotando nos modelos recentes da linha Xperia, mas isso está longe de ser uma desvantagem: o foco em linhas retas em detrimento de curvas confere ao dispositivo um aspecto de robustez que o torna bem aceito por praticamente qualquer tipo de público.

Em resumo, trata-se de um smartphone bonito. Não removível, a traseira lisa e com a já clássica textura conhecida como “black piano” reforça ainda mais esta impressão, embora traga um “efeito colateral” rapidamente perceptível: é muito fácil deixar marcas de dedos ali e qualquer risco vai aparecer de maneira “gritante”.

É interessante notar como a Sony tratou de aproveitar bem as laterais do Xperia T2 Ultra Dual, especialmente o lado direito: esta parte concentra todos os botões físicos (power, controle de volume e câmera), os slots para os cartões SIM (do tipo micro-SIM) e a entrada P2 para fones de ouvido.

A disposição dos botões físicos é bem pensada. Como tem que ser, o botão que controla a câmera é mais afastado, o que facilita seu acionamento com o celular estando em “modo paisagem”, a posição ideal para fotos e vídeos. Já o botão de liga / desliga é aquele redondo que virou marca registrada da linha Xperia. Este formato é útil porque evita que o usuário o confunda com o controle de volume logo ao lado.

Um detalhe que consegue incomodar é a fixação dos botões de volume e câmera: é possível balançá-los facilmente com os dedos. Este aspecto não atrapalha o uso, mas transmite uma sensação de fragilidade.

O lado esquerdo também é aproveitado, vale dizer. É nele que está a entrada micro-USB e o slot para cartão microSD (de até 32 GB). Como se vê, não sobrou nada para as extremidades superior e inferior.

Se você acha que usar este smartphone com uma mão só é que vai ser problema, bom, não dá para negar que esta é uma desvantagem possível em determinadas situações. Mas os botões físicos à meia altura ajudam neste aspecto. Além disso, se você der dois toques seguidos no botão Home, poderá acessar as opções da área de notificações na metade inferior da tela. A ideia não resolve o problema, mas quebra um galho.

Tela

Assistir a vídeos, visualizar fotos e rodar jogos na tela do Xperia T2 Ultra Dual é uma experiência muito boa, mas não excepcional. Isso porque as 6 polegadas do componente são complementadas com uma resolução de 1280×720 pixels e densidade de 245 ppi.

Estas especificações são suficientes para a grande maioria das aplicações, mas uma resolução Full HD (1080p) certamente combinaria melhor com uma tela tão grande – a densidade de apenas 245 ppi permite distinguir os pixels em ícones, por exemplo, ainda que com algum esforço.

Felizmente, a tela do aparelho possui níveis de brilho e contraste muito bons, assim como ótima fidelidade de cores. Mérito, pelo menos em parte, de uma tecnologia que a Sony chama de Triluminos que, basicamente, torna as cores mais vivas, mas sem saturá-las excessivamente.

No mais, a tela do T2 Ultra Dual se sai bem nas respostas aos toques, apresenta boa visualização em ângulos de visão variados e ajuste automático de brilho satisfatório.

Utilizar o aparelho em um local com muita iluminação também não é nenhum martírio: em ambientes abertos, com predominância de luz solar, sequer foi necessário deixar o brilho no nível máximo para visualizar as informações da tela.

Software e Multimídia

O Xperia T2 Ultra Dual disponível no Brasil sai de fábrica com o Android 4.3 (Jelly Bean) como sistema operacional, com uma atualização para o KitKat devendo aparecer nos próximos meses.

Só não se trata de um Android “puro”: o aparelho conta com uma interface customizada pela Sony que é simples, funcional e focada em multimídia, mas que parece não ter sido otimizada para aproveitar todo o potencial do T2.

Uma das primeiras coisas que a gente faz quando pega um smartphone novo é alternar entre as telas no início. O Xperia T2 Ultra Dual responde satisfatoriamente a estes comandos, mas quem já testou o Moto G, por exemplo, que conta com hardware similar, tem a impressão de que as animações poderiam ser um pouco mais rápidas.

Mas o que incomoda mesmo é a situação daqueles três botões do Android (Voltar, Home e Aplicativos / Menu): como eles não ficam fixos na parte inferior, basta arrastar o dedo da borda para o centro da tela para que apareçam. O problema é que, dependendo do aplicativo em execução, este retorno demora preciosos segundos ou simplesmente falha, fazendo com que você tenha que tentar mais de uma vez.

Uma das telas de início vem com um widget integrado ao aplicativo Álbum, que exibe miniaturas das fotos de maneira sequencial. Basta arrastá-las para cima ou para baixo para alternar entre as imagens. Trata-se de uma ideia interessante, mas tanto o widget quanto o app demoram de dois a três segundos para renderizar cada foto completamente, o suficiente para incomodar. Novamente, a impressão que se tem é a de que isso é coisa de software não otimizado.

Já o player de vídeo, chamada apenas de “Filmes”, se sai melhor, embora haja opções mais atraentes para a plataforma. O app roda vídeos nos formatos mais populares, como AVI e MP4, sem engasgar, além de ser compatível com legendas. No entanto, nos testes feitos para este review, o player não conseguiu exibir acentuação corretamente.

Merece menção a integração do app com o Gracenote: quando o programa consegue identificar o filme ao qual se refere o vídeo, é capaz de exibir informações adicionais, como categoria e elenco.

A parte do áudio fica a cargo do competente Walkman. Compatível com formatos como MP3, WMA e AAC, o app tem suporte a playlists, exibe um pequeno player na tela de bloqueio, organiza as faixas por artista ou álbum, pode baixar informações adicionais das músicas, funciona com o Throw (ferramenta para transmitir áudio via DLNA a uma TV, por exemplo) e tem integração com o serviço de streaming Music Unlimited, da própria Sony.

O T2 vem ainda com o Sony Select, uma loja que sugere aplicativos, games, músicas e vídeos que, quando clicados, redirecionam para o Google Play. Qual a vantagem, então? A Sony explica que o aplicativo só exibe conteúdo 100% compatível com o aparelho.

Só não foi desta vez que a companhia japonesa abandonou a prática irritante de disponibilizar o smartphone com apps que não podem ser desinstalados, exceto se o usuário “rootear” o Android. Se há contratos para distribuir estes softwares, que ao menos o usuário possa ter a opção de removê-los pelas vias convencionais.

Câmera

A câmera traseira do Xperia T2 Ultra Dual não é tão avançada quanto a que equipa o Xperia Z2, por exemplo, mas está longe de desagradar: composta por um sensor de 13 megapixels, ela é capaz de registrar fotos com resolução de até 4128×3096 pixels e vídeos em 1080p e 30 fps.

Em lugares bem iluminados, a câmera gera imagens praticamente sem ruído, apesar de ser possível notar falta de nitidez em alguns pontos um pouco mais ao fundo em relação ao objeto, mas nada que a desabone.

Fotos tiradas à noite com flash também saem bem (vide a imagem logo a seguir), mas aqui vale a regra da proximidade: com distâncias superiores a 1,5 m ou 2 m, a iluminação oriunda do LED do smartphone não se mostra suficiente. Ao menos, os ajustes automáticos conseguem compensar bem a falta de iluminação em ambientes mais escuros, embora possa faltar um pouco de cor (vide a segunda imagem abaixo).

O aplicativo da câmera é dotado de vários recursos. Nele há ferramentas para fotos panorâmicas, retratos, imagens com fundo desfocado, criação de efeitos artísticos, compartilhamento em redes sociais, além do modo manual, que permitir ativar uma cena pré-definida (para fotos noturnas ou paisagem, por exemplo) ou modificar o ISO, embora não seja possível ajustar exposição ou abertura.

Há ainda uma opção curiosa chamada AR Effect: ela utiliza realidade aumentada para inserir objetos e cenários na imagem (borboletas, efeito d’água, dinossauro, etc.). O T2 demorou um pouco para aplicar alguns destes efeitos, mas como a função serve apenas para diversão e não vai ser usada constantemente, este detalhe não chega a ser um problema.

Na gravação de vídeos, a câmera do Xperia T2 Ultra Dual também cumpre bem o seu papel. A gravação pode ser feita em 1080p e 30 frames por segundo, como já dito, o microfone consegue capturar o áudio com clareza e o estabilizador de imagem ameniza as tão inconvenientes tremidinhas, mas sem fazer milagre.

Um recurso interessantíssimo notado no review do Xperia Z2 também marca presença aqui: a possibilidade de gravar vídeos em HDR, função que é comum em muitas câmeras e smartphones, mas para o registro de fotos.

Ao contrário do eu notei em outros smartphones grandalhões, fazer fotos e vídeos com o Xperia T2 Ultra Dual não é uma tarefa desconfortável. Seu peso razoável e a espessura reduzida contribuem para esta impressão. O botão da câmera na lateral também ajuda, uma vez que está posicionado em um local onde normalmente apoiamos o dedo indicador.

Este botão também é bem-vindo por permitir acionar a câmera mesmo quando o aparelho está bloqueado, demorando de dois a três segundos para ela ficar disponível. Um segundo a menos seria mais interessante, é verdade, mas ainda assim o botão leva vantagem sobre o ritual de destravar a tela e clicar no app da câmera.

Curiosamente, o botão não é a única forma de acesso rápido à câmera: há um atalho ao lado do relógio na tela de bloqueio que também serve para ativá-la sem necessidade de senha.

A câmera frontal não foi esquecida pela Sony, mas, como de hábito, não dá para esperar muito dela: a que equipa o T2 conta com 1,1 megapixel e grava vídeos a 720p. Ela não tem muito utilidade além de videoconferências.

Hardware e desempenho

O Xperia T2 Ultra Dual é equipado com um SoC Snapdragon 400 com quatro núcleos Corte-A7 de 1,4 GHz e GPU Adreno 305, além de 1 GB de RAM. É uma configuração quase igual às especificações do Moto G, o que indica que o aparelho consegue dar conta das aplicações cotidianas, mas sem apresentar desempenho excepcional.

De fato, o Xperia T2 Ultra Dual executou vídeos e aplicativos um pouco mais exigentes, como o Google Earth e Skype em videoconferência, sem pestanejar.

O jogo Asphalt 8: Airborne também rodou bem, mas com qualidade gráfica em “regular”; na opção “alta”, o game deu algumas “congeladas” rápidas, mas nada que comprometesse seriamente a sua execução. O que pode incomodar um pouco é o aquecimento na parte traseira do T2 quando há processamento pesado.

Os resultados dos benchmarks não deixam dúvidas de que não estamos falando de um top de linha:

A capacidade de armazenamento é de 8 GB, não havendo versões com mais espaço. O problema é que apenas pouco mais da metade deste total está disponível para o usuário – o restante é ocupado pelo sistema operacional e pelos vários apps instalados de fábrica. Um cartão de memória é praticamente obrigatório, portanto. O T2 suporta microSD de até 32 GB.

Na conectividade, a única decepção fica para a ausência de 4G, que só existe na versão “single-SIM”. No mais, há 3G, Wi-Fi 802.11n, Bluetooth 4.0, DLNA, NFC e a porta micro-USB 2.0. Não notei qualquer problema no uso destas conexões.

Em relação ao áudio, o alto-falante fica na parte traseira e tem a qualidade sonora esperada para um smartphone, ou seja, sem graves e com alguma distorção no volume máximo. Para ter mais qualidade, só com fones de ouvido, como sempre.

Para quem faz questão de utilizar dois cartões SIM, o Xperia T2 Ultra Dual lida bem com eles: é possível manter os dois ativos ao mesmo tempo e definir toques distintos para cada um deles, por exemplo.Bateria

Smartphones grandes dão espaço para baterias com maior capacidade e o Xperia T2 Ultra Dual aproveita bem esta possibilidade: com 3.000 mAh, o componente apresenta autonomia suficiente para o aparelho ser usado o dia inteiro sem que você tenha que se preocupar em ter uma tomada por perto.

No primeiro teste de bateria, executei o filme Salt (1 hora e 40 minutos de duração) via Netflix mantendo o brilho da tela no nível máximo e o Wi-Fi ligado, obviamente. Ao final de quatro execuções seguidas, a carga da bateria havia pulado de 100% para 26%.

O segundo teste envolveu atividades cotidianas: uma ligação de 6 minutos, reprodução em tela cheia de um vídeo em AVI com duas horas de duração e 720p, uso do navegador e de redes sociais via 3G por cerca de uma hora, músicas pelo alto-falante também por uma hora, disparo de 15 fotos e execução do jogo Asphalt 8: Airborne por 30 minutos. Depois de tudo isso, a bateria apresentava carga de 46%.

Mas, se você achar que vai ficar longe de uma tomada por tempo suficiente para a bateria descarregar completamente, pode amenizar a situação ativando o modo STAMINA, que desliga Wi-Fi e redes móveis automaticamente quando o aparelho estiver em modo de descanso para religá-los quando a tela for ativada, além de poder limitar os recursos de hardware.

Quanto ao tempo de recarga, o T2 levou 3 horas e 40 minutos para fazer a carga passar de 10% para 100% com o aparelho ligado diretamente à tomada.

Pontos negativos

  • Resolução de 720p em uma tela de 6 polegadas;
  • É fácil deixar marcas de dedo na traseira do aparelho e na tela;
  • A interface customizada poderia ser otimizada para se adequar melhor ao hardware;
  • O dispositivo tem 8 GB de storage, mas apenas metade fica disponível para o usuário.

Pontos positivos

  • Bateria com ótima autonomia;
  • Desempenho honesto, dadas as especificações do aparelho;
  • Câmera convincente, ainda que não seja a melhor da Sony.

Conclusão

Smartphones com tela de 6 polegadas parecem desajeitados para a maioria das pessoas, mas são mesmo uma opção para quem prioriza o consumo de conteúdo e não quer ou não pode investir em um tablet. O problema é que boa parte dos modelos da categoria afasta interessados por ter preço elevado.

Com o Xperia T2 Ultra Dual, a Sony tenta encontrar um equilíbrio para oferecer o melhor custo-benefício. O modelo escorrega em alguns pontos, como a tela com resolução de 720p em vez de 1080p, mas acerta em outros, como a bateria com ótima autonomia e o suporte a dois cartões SIM, característica que é muito bem vista no Brasil.

É claro que a questão das dimensões de um dispositivo como este deve ser considerada durante a decisão de compra: a não ser que você use uma mochila ou uma bolsa, transportar o T2 não vai ser das tarefas mais triviais. Ao menos a leveza compensa naquelas situações em que você precisa segurá-lo com apenas um mão: 173 gramas é um peso muito bom para um smartphone deste porte.

Como você deve ter notado, é um desliza aqui, compensa dali. De modo geral, o aparelho consegue dar conta da maioria das aplicações, mas provavelmente não irá atender ao usuário mais exigente. Quem tem intenção de adquirí-lo precisa, portanto, estar plenamente ciente de que este é um smartphone de categoria média, do contrário, correrá o risco de se decepcionar.

Apesar dos esforços, o preço sugerido de R$ 1.299 não é de todo vantajoso se levarmos em conta as especificações de hardware. No entanto, já dá para encontrar ofertas mais vantajosas no varejo. Usando um comparador de preços, foi possível encontrar o modelo sendo vendido com preços variando entre R$ 1 mil e R$ 1,1 mil reais em lojas online no dia da publicação deste review.

Especificações técnicas

  • Bateria: 3.000 mAh (Li-Ion, não removível);
  • Câmera: 13 megapixels (traseira) e 1,1 megapixel (frontal);
  • Conectividade: 3G, Wi-Fi 802.11n, GPS, NFC, Bluetooth 4.0 e micro-USB 2.0;
  • Dimensões: 165,2 x 83,8 x 7,7 mm;
  • GPU: Adreno 305;
  • Memória externa: microSD de até 32GB;
  • Memória interna: 8 GB;
  • Memória RAM: 1 GB;
  • Peso: 173 gramas;
  • Plataforma: Android 4.3 Jelly Bean;
  • Processador: quad-core Snapdragon 400 de 1,4 GHz;
  • Sensores: acelerômetro, bússola, giroscópio e proximidade;
  • Tela: IPS de 6 polegadas com resolução de 1280×720 pixels.

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